domingo, 19 de abril de 2015

Groove your Soul #76





Playlist:

01. Bill Withers – “I Can't Write Left Handed” (Live At Carnegie Hall)

02. Bill Withers - “Lean On Me” (Live At Carnegie Hall)

03. Nina Simone – “Exactly Like You” (Live At Town Hall)

04. Donny Hathaway - “We're Still Friends” (Live)

05. Eunice Collins – “At The Hotel”

06. Terry Callier – “Be My Woman”

07. Caetano Veloso – “It's a Long Way”

08. Tim Maia – “Where Is My Other Half”

09. Esther Phillips – “I Don't Want to Do Wrong”

10. Barry White – “Playing Your Game, Baby”

11. Curtis Mayfield – “Sweet Exorcist”

12. Tim Maia – “Rational Culture”


Download em formato mp3 aqui: Rádio Autónoma - Podcasts Groove your Soul

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly



No dia 16 de Março, estava eu nas praias paradisíacas da Tailândia, aparentemente desligada de tudo e de todos, quando um alvoroço chegou até mim proveniente das redes sociais portuguesas - saíra o novo álbum de Kendrick Lamar e, por sinal, era bombástico!

Ora, conhecendo o seu antecessor, "good kid, m.A.A.d city" (2012) e ainda com o concerto do ano passado bem fresco na memória (NOS Primavera Sound), fiquei imediata e completamente inquieta para ouvir o álbum!

E assim foi. Chegada a Portugal, das primeiras coisas que tratei de fazer foi ouvir "To Pimp a Butterfly" e, tenho a dizer-vos, que álbum...! Após ouvi-lo pela primeira vez senti-me deveras preocupada com a quantidade e variedade de coisas que tinha entre mãos por desvendar. Ansiedade - era a palavra, por saber que ainda tinha tanto por descobrir, investigar, palmilhar... tanto com o que me deliciar naquele álbum.
Levei o meu tempo. Por mais urgência que sentisse em escrever freneticamente, sabia que um álbum como este merece e leva tempo, dedicação e atenção a digerir, algo que ainda o estou a fazer.

A pergunta agora é: por onde começar?

Talvez pela carga, essência e razão de ser primordial deste disco - a música enquanto responsável por abrir e mudar mentalidades, passar uma mensagem, unir formas de estar e pensamento.

O que me leva a uma nova pergunta: pode um disco ser um sucesso de criticas e de vendas e, simultaneamente, altamente consciencioso, transmitindo uma mensagem séria, gritante e positiva?

Pode. Não tivéssemos já um "What's Going On" ou, mais recentemente, um "Black Messiah" para o comprovar.

À semelhança do messias D'Angelo, também Lamar regressou em força, pronto para lutar nesta revolução pacífica, munido de muito boa música, cujo grito de guerra é "To Pimp a Butterfly".

Mudam-se os tempos, as décadas, as músicas, mas a alma e a mensagem continuam as mesmas e, felizmente, tal como no passado vozes mais altas se levantaram, sentindo o dever de falar por todos, também hoje há quem não se faça calar.

How many niggas we done lost bro? This, this year alone. - pergunta-nos Kendrick Lamar numa espécie de motim organizado no final do seu primeiro single "i". Inspirado pelo soul dos Isley Brothers ("That Lady"), o cantor dá-nos a conhecer o seu primeiro single, numa versão posteriormente melhorada, a meu ver, no álbum.



Os últimos acontecimentos de violência e racismo que têm ocorrido nos Estados Unidos enfureceram também Kendrick, resultando em músicas com cargas pesadas e letras pautadas pela raiva e pela dor como é o caso de "The Blacker The Berry", onde todos e cada um dos seus versos começam com I'm the biggest hypocrite of 2015. Hipocrisia essa que é referida pelo cantor ao constatar que muitos dos cidadãos afro-americanos que lamentam os assassinatos de pessoas da mesma raça, ao mesmo tempo, também eles próprios promovem actos de violência contra os seus.



Assim, tal como já o transmitiu no seu anterior trabalho, onde um 'good kid' (Kendrick) não se perdeu numa 'm.A.A.d city' (Compton, Califórnia, sua terra natal), o cantor procura  contrariar e desmistificar a conotação negativa, associada à violência que o hip hop tem pela sociedade em geral. Assumindo quase que como uma responsabilidade civil enquanto artista, a de transmitir o quão benéfica pode ser a música para uma comunidade.

Uma responsabilidade com a qual o cantor lida ao longo dos seus 16 temas, culminando no último, "Mortal Man", onde, além do sample de Fela Kuti ("I No Get Eye for Back"), é simulada uma conversa transcendente entre Lamar e o legendário Tupac, na qual os mesmos se questionam (e nos questionam também) de que forma esta influência deve ser utilizada, sem ser de forma abusiva.

Mas vamos à música! Tal como não só de mensagens e temáticas importantes é composto este trabalho, também não só de hip hop é pintado este quadro. Uma vasta palete de soul, jazz, funk e spoken word dão cor e vida a este álbum, que contou com uma equipa vencedora na sua produção: Dr. Dre, Flying Lotus, Pharrell Williams e Thundercat, entre outros.

Um disco grande, denso e esquizofrénico, mas cuja panóplia de sons e estilos diferentes encontra-se tão bem arrumada dentro da mesma casa, que nos dá vontade de vaguear de sala em sala, de forma aleatória e escancarada, sem fecharmos qualquer porta atrás de nós.


Em "For Free? (Interlude)" a hiperactividade de Lamar deixa-nos sem fôlego, num jazz caótico com a loucura e o toque do pianista Robert Glasper. A demência continua com teatralidade em "u", onde o cantor se depara com os dramas da sua vida pessoal, alcoolizando-se ao longo da canção e repetindo freneticamente para si mesmo loving you is complicated.  Em "Alright" é o Pharrell a falar e em "These Walls", se elas pudessem falar, seria sobre o lado negro da fama. Bilal, um dos representantes do neo-soul, está presente neste tema, bem como no anterior, "Institutionalized", onde dá voz juntamente com Snoop Dogg e refere: shit don't change until you get up and wash your ass, nigga. A mensagem aqui é limpinha.

Os rasgos de neo-soul, acompanhados por saxofones e o piano de Glasper, prevalecem tranquilamente em "How Much a Dollar Cost", "Complexion (A Zulu Love)" e "Momma" (onde ouvimos é a filha - Lalah Hathaway - filha de Donny Hathaway).

Por fim, o funk e a loucura de Lamar ganham vida em "King Kunta" - terceiro single do cantor.



Não é fácil fazer um resumo ou tirar conclusões deste disco. Contudo, a cabeça revoltada, angustiada e algo deprimida de Lamar é exposta de forma nítida e crua neste disco, sentindo-mo-lo quase que como uma partilha do cantor para connosco. Algo inesperadamente bom, esta maturidade complexa vinda de um artista de apenas 27 anos, mas que já nos deu tanto com este álbum.

E o que me agrada mais ainda é saber que, provavelmente, daqui a 1 mês, depois de continuar a ouvi-lo, poderia escrever um novo e diferente artigo sobre ele, se assim entendesse. Além do seu brilho, é esta sua capacidade de inesgotabilidade que o tornam num magnifico álbum, certamente, entre os melhores editados nos últimos anos.


Playlist:

01."Wesley's Theory" (featuring George Clinton & Thundercat)
02."For Free? (Interlude)"  
03."King Kunta"  
04."Institutionalized" (featuring Bilal, Anna Wise & Snoop Dogg)
05."These Walls" (featuring Bilal, Anna Wise & Thundercat)
06."u"  
07."Alright"  
08."For Sale? (Interlude)"  
09."Momma"  
10."Hood Politics"  
11."How Much a Dollar Cost" (featuring James Fauntleroy & Ronald Isley)
12."Complexion (A Zulu Love)" (featuring Rapsody)
13."The Blacker the Berry"  
14."You Ain't Gotta Lie (Momma Said)"  
15."i"  
16."Mortal Man"  

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Groove your Soul #75



Playlist:

01. Kendrick Lamar – “The Blacker the Berry”

02. Kendrick Lamar – “King Kunta”

03. Jonwayne – “The Come Up Pt.2”

04. James Blake – “Life Round Here” (Ft. Chance The Rapper)

05. Shlohmo – “Bo Peep (Do U Right)” (Ft. Jeremih)

06. Kelela – “Go All Night”

07. Best Youth – “Red Diamond”

08. SBTRKT – “Never Never”

09. Miguel – “NWA”

10. Kelis – “Floyd”

11. Mirror Signal (20th Century Fix) – “Warm Weather”

12.Thundercat – “Heartbreaks + Setbacks”

13. FKJ – “Lying Together”

14. Kendrick Lamar – “Bitch, Don't Kill My Vibe”

15. Kendrick Lamar – “How Much a Dollar Cost” (Ft. James Fauntleroy & Ronald Isley)


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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Groove your Soul #74 (Especial R&B)




Playlist:

01. Montell Jordan – “Get It On Tonite”

02. Brandy (Ft. Queen Latifah, Yoyo & Mc Lyte) – “I Wanna Be Down”

03. Mase (Ft. Total) – “What You Want”

04. Usher, Puff Daddy & Loon – “I Need a Girl”

05. Ashanti (Ft. Biggie) – “Unfoolish”

06. Mark Morrison – “Return Of The Mack”

07. Groove Theory – “Tell Me”

08. Next – “Too Close”

09. Lucy Pearl – “Dance Tonight”

10. Angie Stone (Ft. Snoop Dogg) – “I Wanna Thank Ya”

11. R. Kelly – “Ignition (Remix)”

12. Tupac – “Do For Love”

13. TLC – “Waterfalls”

14. Eve (Ft. Gwen Stefani) – “Let Me Blow Your Mind”

15. Amerie – “One Thing”

16. Sisqo – “Thong Song”

Download em formato mp3 aqui: Rádio Autónoma - Podcasts Groove your Soul

quarta-feira, 1 de abril de 2015

José James tem novo álbum


Conhecido pela suas capacidades 'camaleónicas' na actual esfera musical, o cantor nova-iorquino regressa até nós este ano com jazz, num tributo prestado, segundo o mesmo, à sua 'mãe musical' - Billie Holiday.

Uma homenagem merecida, a propósito do centésimo aniversário do nascimento da cantora conhecida como 'Lady Day' - uma das grandes figuras inspiradoras da música negra, em especial o jazz.
Este seu novo trabalho intitulado "Yesterday I Had The Blues - The Music of Billie Holyday" já se encontra disponível no iTunes.

As boas notícias, contudo, não ficam por aqui... James trará Billie brevemente a Portugal, num concerto a realizar-se no dia 4 de Julho, na Casa da Música (Porto).

Já assisti a 3 concertos de José James, um deles, neste registo jazz, como convidado de McCoy Tyner (pianista que actuava com John Coltrane) no Guimarães Jazz 2011 e, devo dizer-vos, vale muito a pena ver, ouvir e sentir a suavidade, a elegância e a sensualidade deste senhor em palco, tornando-se, por isso, deveras tentador este concerto...


terça-feira, 31 de março de 2015

Próximo Groove - especial R&B!

Soul lovers, o Groove desta semana será um especial R&B!

Já estou a prepará-lo, em busca do melhor e mais quente R&B, desde os anos 90 até aos dias de hoje... preparem-se, vai ser doce! ;)



sexta-feira, 27 de março de 2015

Groove your Soul #73




Playlist:

01. Marvin Gaye – “Sunny” (Mercury Edit II)

02. Missy Elliott – “Sock It 2 Me” (Kaytranada Remix)

03. Greg Wilson – “Gotta Keep Workin' It” 

04. Erick Sermon (Ft. Marvin Gaye) – “Music”

05. Lion Babe (Ft. Childish Gambino) – “Jump Hi” 

06. Kanye West Ft. Paul Wall & G.L.C. – “Drive Slow”

07. Freddie Cruger (Ft. ADL) –   “Running From Love”

08. Kraak And Smaak – “Squeeze Me”

09. Guilty Simpson – “Man's World”

10. James Brown –“The Boss”

11. Alice Clark – “Never Did I Stop Loving You”

12. The O'jays – “Time To Get Down”

13. Delegation – “Oh Honey”

14. Rose Royce – “Love Don't Live Here Anymore”

15. Lowrell – “Mellow Mellow (Right On)”

16. Cheryl Lynn – “Got To Be Real”

Download em formato mp3 aqui: Rádio Autónoma - Podcasts Groove your Soul

sexta-feira, 6 de março de 2015

O Groove vai de férias, mas volta!


É verdade queridos soul lovers, o Groove vai de férias duas semanas, ou melhor, vou eu e, infelizmente, não consigo levá-lo comigo (na mala, claro).

As últimas semanas e os últimos acontecimentos foram muito intensos para mim. Se por norma os meus dias já passam a correr, ultimamente tem sido toda uma maratona que, finalmente, irá culminar num descanso não só merecido, como necessário.

A ida a Londres para assistir ao concerto de D'Angelo foi mais um momento histórico na minha vida. Já muito foi dito, escrito, falado.. pelo que não me vou prolongar neste tema. Foram 2:20h de concerto simplesmente maravilhosas e inesquecíveis, aliado ao facto de poder desfrutar da cidade de Londres que, por si só, é maravilhosa. Na bagagem trouxe a mala e o coração cheios de música.

Mas mal sabia eu que desse concerto mais coisas boas surgiriam... Eis que recebo o convite da Mónica Mendes para participar na edição especial do M (seu programa na Antena 3), dedicada ao D'Angelo e aos seus concertos em Londres.

É difícil explicar-vos a emoção e alegria (e também os nervos!!) que senti ao receber este convite. A Mónica e o M acompanham-me desde os inícios da minha paixão por esta música negra. A minha playlist, as minhas pesquisas, foram muito alimentadas por este programa, que mantém-se inabalável ao longo dos anos, com uma extensa e crescente lista de fiéis seguidores. Mérito da Mónica que, também com a sua paixão pela música, assim o soube fazer.

Fui crescendo, por isso, também com ela. Entretanto, o meu Groove nasceu, cresceu e deu frutos - um programa de rádio! Mais uma vez, o M foi A referência nesta minha aventura, cujo motor é, mais uma vez, a paixão pela música.

Assim sendo, o facto de participar no M foi uma grande honra e motivo de satisfação e realização pessoal para mim. Contudo, o melhor desta experiência, foi mesmo a experiência em si. Caminhar por aqueles corredores da RTP, recheados de estúdios, de rádios... onde a matéria-prima é a música. Conhecer um pouco melhor a Mónica, que foi uma querida comigo o tempo todo, falar com ela e ter aquele sentimento fantástico de perfeita sintonia, num tema que me é tão especial. Enfim, digamos que saí de lá a flutuar.

Para quem quiser ouvir o programa, aqui está o podcast do M:




Depois de Londres e desta magnifica experiência, segue uma nova correria: os preparativos finais para a minha grande viagem que se avizinha - Tailândia.

Uma viagem grande, a maior que tive até hoje, muito ansiada e numa fase da minha vida que faz todo o sentido.
Inicialmente pensei em fazer os programas com antecedência para essas duas semanas, pois custa-me parar o Groove. Mas não consegui.. :( Não tenho o tempo necessário para preparar os programas com o cuidado e o carinho que queria, como sempre o faço. E depois também reflecti e percebi que eu de facto preciso deste tempo para mim, para me abstrair, desligar de qualquer compromisso, e apenas desfrutar da viagem. Descansar, relaxar, plenamente.

Como tal, para compensar de alguma forma esta minha ausência, para aqueles que seguem o meu Groove, eis um resumo do que foram estas 72 horas de músicas com alma, que venho reunindo cada semana :)


Tudo começou no dia 27.09.2013:

Groove your Soul #01

No 10º programa, todas as músicas foram o nº 10 de um álbum:


Aos 22 programas o Groove recebe o seu primeiro convidado, o NBC:



No 23, um especial cinema - bandas sonoras com Groove:


30 programas mereceram uma edição especial dedicada a trios famosos:


Na semana do 33 eu fiz 30 anos e um programa especial:


O Groove Brasil nasceu no programa 38 e assim continuou:





Na edição 40, apenas tivemos covers famosos:


E na 41 o nosso querido Bobby Womack nos deixou... o programa foi seu:


Tivemos um Groove 100% português no programa 48:


A edição 50 foi um 'Best of 1 ano de Groove your Soul':


E a 51 um especial hip hop anos 90:


No programa 54 levei o Groove comigo para Angola:


E no 56 tivemos uma battle entre soul e hip hop:


No 60, apenas anos 60:


A Groove Revolution deu-se no 65:


E um especial D'Angelo no 71:




O último foi o 72, encontramo-nos no 73... até lá, fiquem bem! ;)