quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

M


Então, como é que eu vos digo isto…

Não sei se conhecem o M (se não conhecem, deviam conhecer), mas trata-se de um programa de música soul, da autoria da Mónica Mendes, na Antena 3.

Sigo o M há muitos anos, não sei precisar quantos, e tanto o programa como a Mónica têm sido, desde sempre, uma referência importante para mim e uma grande influência no meu crescimento musical.
Face a isto, podem imaginar a imensa alegria e honra que tenho em anunciar-vos que este Domingo serei a próxima convidada do M!!! :))

A partir das 19h estarei à conversa com a Mónica, num programa especial dedicado ao nosso D’Angelo e ao seu excelente concerto que presenciámos em Londres!

Sintonizem!!!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

D'Angelo @ Eventim Apollo [20.02.2015]


Depois de uma semana atribulada, de azáfama e correria, lá estava eu, diante do Eventim Apollo, para mais uma vez assistir ao concerto do cantor (vivo) que mais me arrebata a alma e o coração - D'Angelo.
A história repetira-se. Há dois anos, também em Fevereiro, fora arrastada por esta paixão que me leva a cometer 'extravagâncias' mas que, para mim, não são mais do que as melhores coisas que levo desta vida. Desta vez, ainda que mais resistente ao início, acabei por me deixar arrastar novamente por este amor de longa data (afinal, quem é que eu queria enganar?) e ainda bem que assim foi.

"D'Angelo Live In Concert", as letras que imperavam na fachada do Eventim Apollo eram impossíveis de ignorar ou relevar, provocando o primeiro grande arrepio de muitos que viria a sentir nessa noite. Pela primeira vez depois de aterrada em Londres, consciencializei-me do que estaria prestes a viver e uma sensação de 'bom pressentimento' invadiu-me o peito.

Casa cheia de sorrisos, boa música e ambiente cool para receber o rei que, embora ausente uma larga década, nunca perdeu o trono, nem o precisou reconquistar, bastou-lhe, sim, voltar. Expectantes, curiosos, excitados, entusiasmados, assim estavam todos os presentes naquela sala para perceber se o flavour de Brown Sugar, a magia de Voodoo e a garra de Black Messiah estariam juntos em palco nessa noite. E estiveram... oh se estiveram...

D'Angelo entra em cena imperioso como ele só (efectivamente, o regresso do rei), com a força das palavras de "1000 Deaths" - dos temas mais conscenciosos e revolucionários do seu último trabalho, pondo-nos, assim, a todos de pé, como um líder nato o sabe fazer. A partir desse momento, mais ninguém voltaria a sentar-se.
No mesmo instante percebi que este concerto nada teria a ver com o concerto que presenciara há dois anos. D está preparado, muito preparado, com um novo fôlego, um novo ânimo. Esperou o tempo que tinha de esperar e veio com tudo disposto a nos arrebatar. E assim foi.

Novo visual para este D'Angelo mais crescido e rockeiro, que com as guitarras bem afinadas e afiadas, percorre alguns dos temas do seu novo álbum - "Black Messiah". Também nova é a sua banda, pela qual o mesmo fez questão de nos fazer gritar: "The Vanguard"!!! Numa ovação cada um dos elementos fez-se anunciar, sendo que, foram os velhos amigos que mais nos fizeram vibrar... Pino Palladino, seu fiel companheiro de aventuras, não podia faltar!

Estava eléctrico, tão eléctrico como a sua guitarra, este senhor que de velho não tem nada, acalmando com o primeiro momento esperado da noite (se é que houve 'momentos'... para mim, toda a noite foi um momento - épico - atrevo-me a dizer), ao cantar-nos o doce e apaixonado - "Really Love".
Continuamos doces e retrocedemos um álbum."Feel Like Makin' Love", de Voodoo (2000), mantém-nos enfeitiçados. Mas é a seguir, quando o vejo ir em direcção ao piano e começo a ouvir as primeiras notas de "One Mo Gin", que me encho verdadeiramente de felicidade. Nem acredito - pensei - ele vai cantar um dos meus temas preferidos, daqueles que pouca esperança tinha que ele pudesse cantar. Que bom, que maravilhosamente bom foi ouvi-lo cantar para mim, ao vivo, aquele som que tantas e tantas noites me acompanha no aconchego da minha sala. 
Também nessa música surge o primeiro grande jam da noite. Damn... como está em forma este homem! Mais em forma do que nunca! Que voz, que presença, que energia em palco! Nem a meio do concerto íamos e, para mim, já tinha valido a pena!




Ouvimos "Alright" para descomprimir e, assim, fomos até onde tudo começou - o seu primeiro álbum - Brown Sugar (1995) - cujo tema-título ouvir-se-ia a seguir, inundando de groove, bounce, flow, toda uma sala de 'açúcar-dependentes'.




D'Angelo está louco, possuído e quer pôr-nos assim também! Calmamente, sedutor como ele só, dirige-se para o meio da multidão enlouquecida, que tudo faz para o sentir, tocar, ver. Foi apenas mais um acto, dos muitos que o cantor fez ao longo do concerto para cativar a sua audiência. Incansável a puxar por nós, seja pedindo palmas, interagindo connosco ou misturando-se na plateia, D'Angelo foi nosso nessa noite!

E depois de um pouco de Brown Sugar, retomámos Black Messiah com"The Charade" e "Sugah Daddy", que nos deixa endiabrados, batendo palmas afincadamente, como na época em que o gospel se debatia com o soul, considerada na altura 'música do diabo'. Se assim fosse, nessa noite todos teríamos ido parar ao Inferno de bom grado.

Aproximamo-nos do fim e D simula despedir-se. Algo impensável para os muitos que se encontravam naquela sala e gritavam por mais, muito mais! Assim foi, "Back To The Future (Part I)" é a canção que o faz regressar, prosseguindo com o clássico bem recordado, "Left & Right". Um a um, todos os temas quentes foram caindo e nós cada vez mais perto do auge. 

Para terminar (ainda que não culminar), "Chicken Grease". Li depois do concerto uma frase em que o Rui Miguel Abreu (bastante entendido na matéria) diz: "James Brown e Marvin Gaye tiveram um filho. Chama-se D'Angelo." Não podia estar mais de acordo, e também acrescentar seu padrinho - Prince :)  Por várias vezes senti a presença destes espíritos em palco, encarnados na voz e nos movimentos de D'Angelo, especialmente o do endiabrado Godfather, James Brown.

Por fim e, agora sim, para culminar... um tema que desta vez até podia faltar, pois o concerto já estava mais do que ganho. Contudo, é impossível não ansiar por esta canção que tantos corações faz suspirar, há tanto tempo - "Untitled (How Does It Feel)".
Alguns já abandonavam a sala mas a esperança é sempre a última a morrer para muitos dos que ali permaneciam e acreditavam que o génio D regressaria para consumar este concerto esplendoroso, pondo a cereja no topo do bolo.

E se com garra começámos este concerto, foi com o coração bem mole que dele nos despedimos. D'Angelo interpretou "Untitled" de forma apaixonada, doce e quente. No decorrer, os elementos de "The Vanguard" foram se despedindo um a um e, suavemente, depois do seu pequeno solo, abandonaram o palco numa merecida chuva de aplausos. Restaram os dois bons amigos para o final. Pino Palladino levou para casa a segunda maior ovação, deixando o rei sozinho em palco com o seu piano. D'Angelo, despede-se com a sua brilhante voz, que não falhou uma única vez em 2 horas de concerto, deixando uma multidão emocionada, em êxtase.

E assim fiquei eu, feliz, completamente entregue e extasiada... ainda em convalescença, arrepiada só de me lembrar ao escrever estas palavras. Sei que foi um dos momentos mais especiais da minha vida, daqueles que levarei comigo seja lá para onde e quando for, que irei recordar com calor e um sorriso sempre que olhar para trás.

A vida é curta, preciosa. Seja o que for que vos move e vos faz feliz, se tiverem possibilidades de o fazer, não hesitem, não se contenham, vivam-no!

:)



Alinhamento:

01. Prayer
02. 1000 Deaths
03. Ain't That Easy
04. Really Love
05. Feel Like Makin' Love
06. One Mo Gin
07. Alright
08. Brown Sugar
09. The Charade
10. Sugah Daddy

Encore 1:
11. Back To The Future (Part I)
12. Left & Right
13. Chiken Grease

Encore 2:
14. Untitled (How Does It Feel)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Groove your Soul #70 (Groove Brasil #04)



Playlist:

01. Elis Regina e Tom Jobim – “Só Tinha de Ser Com Você”

02. Tom Jobim – “Chega de Saudade”

03. Astrud Gilberto – “Água de Beber”

04. Paulino da Viola – “Meu Mundo é Hoje (Eu Sou Assim)”

05. Jorge Ben Jor – “Por Causa de Você, Menina”

06. Jorge Ben Jor – “Adelita”

07. Erasmo Carlos – “De Noite na Cama”

08. Tim Maia – “O Caminho do Bem”

09. Beth Carvalho – “A Flor e o Espinho”

10. Arlindo Cruz – “Será Que é Amor”

11. Martinho da Vila – “Todos os Sentidos”

12. Gal Costa – “Sua Estupidez”

13. Gal Costa e Caetano Veloso – “Baby”

14. Djavan – “Eu Te Devoro”

15. Martinália – “Namora Comigo”

16. João Gilberto & Stan Getz – “Para Machucar Meu Coração”


Download em formato mp3 aqui: Rádio Autónoma - Podcasts Groove your Soul

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Groove your Soul #69 (Lovetape #01)




Playlist:

01. Corinne Bailey Rae – “Is This Love”

02. John Legend – “Slow Dance”

03. Sharon Jones and the Dap-Kings – “You're Gonna Get It”

04. Al Green – “Simply Beautiful”

05. Van Hunt – “Seconds of Pleasure”

06. Lauryn Hill – “Ex-factor”

07. Darondo – “Didn't I?”

08. Kyan Music – “Bad Science”

09. Alicia Keys Ft. Maxwell – “Fire we Make”

10. The Isley Brothers – “Between the Sheets”

11. Minnie Riperton – “Inside my Love”

12. Robin Thicke – “You're My Baby”

13. Aretha Franklin – “Baby Baby Baby”

14. Lee Fields & The Expressions – “Honey Dove”

15. Lenny Williams – “Cause I Love You”


Download em formato mp3 aqui: Rádio Autónoma - Podcasts Groove your Soul

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Groove your Soul #68




Playlist:

01. Lionel Richie – “All Night Long”

02. The Commodores – “High On Sunshine”

03. Marvin Gaye – “Got To Give It Up”

04. Diana Ross – “Love Hangover”

05. Rose Royce – “Love Don't Live Here Anymore”

06. Smokey Robinson – “Virgin Man”

07. High Inergy – “You Can't Turn Me Off (In The Middle Of Turning Me On)”

08. David Ruffin – “Walk Away From Love”

09. Al Green – “Free At Last”    

10. Sister Sledge – “Easier To Love”

11. Johnny Guitar Watson – “Superman Lover”

12. Donny Hathaway – “Little Ghetto Boy”

13. Shirley Brown – “It Ain't No Fun”

14. The Isley Brothers – “Feels Like The World”

15. Bobby Patterson – “I Get My Groove From You” 


Download em formato mp3 aqui: Rádio Autónoma - Podcasts Groove your Soul

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Groove your Soul #67



Playlist:

01. Mick Jenkins – “Jazz”

02. Mick Jenkins – “Fate”

03. Jose James – “Love”

04. Handsome Boy Modeling School – “The Truth” (Ft. Roisin & J-Live)

05. Handsome Boy Modeling School – “I've Been Thinking” (Ft. Cat Power)

06. D’Angelo – “Back to the Future (Part I)”

07. Mos Def – “Ms. Fat Booty”

08. Aretha Franklin – “Rock Steady”

09. Ann Peebles – “Part Time Love”

10. King Floyd – “Groove Me”

11. The Dells & The Dramatics – “Love Is Missing From Our Lives”

12. John Legend – “Live It Up”

13. Elle Varner – “Sound Proof Room”

14. Raphael Saadiq – “Never Give You Up” (Ft. Stevie Wonder)

15. Roberta Flack – “To Love Somebody”

Download em formato mp3 aqui: Rádio Autónoma - Podcasts Groove your Soul

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Donny Hathaway


Hoje, como frequentemente o faço, passei nos correios antes de ir para o trabalho e levantei mais um vinil que, após uma longa jornada e ter cruzado o oceano, deixa para trás a sua terra natal para, assim, encontrar um novo lar, onde o soul reside, igualmente, com a mesma intensidade - a minha casa.

Um dia atribulado, um jantar com amigos e finalmente chego a casa, já tarde, com o vinil debaixo do braço, pronta para fazer aquilo por que esperei ansiosamente todo o dia - pô-lo a tocar.

E é essa a magia da música... quando mais um dia chega ao fim e pensamos que já nada dele pode restar, de repente, tudo faz sentido. Aconchegada no escuro da noite, todo o vazio que se possa sentir é preenchido por um sem fim de emoções, uma combinação milagrosa de notas, ritmos, acordes e vozes que aquecem qualquer sala, qualquer coração e varrem qualquer pensamento, deixando-nos livres, leves, em paz.

Essa é a magia que a música exerce sobre mim, sempre que preciso encontrar-me, procuro-me nela.

É essa mesma magia que me leva a ligar o pc a esta hora da noite, como tantas outras vezes o fiz, e continuar a encontrar-me neste blog, neste pedacinho de mim, através da escrita.

E é com nostalgia e até uma certa tristeza que escrevo mais um post pois apercebo-me o quanto gosto de fazê-lo e há quanto tempo não o fazia. Opto por não gastar energias a pensar nos motivos pelos quais o tempo não se multiplica como e quando eu gostaria ou de que forma o mesmo deveria ser empregue. Prefiro antes falar-vos da voz que me faz companhia esta noite e a quem devo este post - Donny Hathaway.

Conheci Donny com o seu "Little Ghetto Boy"...



Continuei a vaguear por "The Ghetto"...




... perdi-me nele e nunca mais quis de lá sair! Tornámo-nos bons amigos...




Nascido em 1945, natural de Chicago, este cantor que deambula pelo soul, blues, gospel ou jazz como se todos os estilos juntos fossem apenas um, começou desde cedo a dar música à sua alma. Aos três anos de idade já fazia parte dos coros da igreja na qual a sua avó, Martha Crumwell, era cantora de gospel profissional. Nos estudos dedicou-se à música e na faculdade, em Washington, conhece aquela que seria a parceira da sua vida - Roberta Flack. (Esta senhora, a seu tempo, também terá o seu merecido post)


Iniciou a sua carreira como compositor e produtor na Curtom Records, trabalhando para artistas como Curtis Mayfield (seu fundador), The Staple Singers ou Aretha Franklin, mas foi sob a alçada da Atlantic Records que em 1970 lançou o seu primeiro grande single - "The Ghetto Pt 1". Um cocktail afrodisíaco de ritmos urbanos, afro-americanos, que percorrem as ruas sombrias de um ghetto preenchendo-as de vida e cores quentes.

"Everything Is Everything" é assim o seu primeiro disco no qual este tema está incluído e que, curiosamente, conta com a colaboração da sua avó nas vozes do coro e na guitarra. Em 1971 é lançado um novo trabalho, "Donny Hathaway", que reúne maioritariamente um conjunto de covers de soul, pop e gospel e, um ano mais tarde, é editado o primeiro álbum de duetos com a sua grande amiga, Roberta Flack.


No mesmo ano é lançado também o disco ao vivo que agora toca cá em casa - "Live". Dois concertos, num lado Hollywood, no outro Manhattan, e tornam-o num dos vinis mais valiosos da minha colecção.

O seu quarto e último álbum de estúdio é "Extension of a Man" (1973), o que nos antevê uma carreira curta... curta demais para um talento e uma voz como a de Donny.

Como tantos outros génios com almas atormentadas, foi referido que o cantor sofria de perturbações mentais que o levariam a cometer suicídio, atirando-se da janela de um hotel com apenas 33 anos. Algo macabro os finais trágicos que assolaram algumas vozes da música soul mas que, ainda assim, tornaram-se imortais. Fins igualmente trágicos e prematuros tiveram, por exemplo, Sam Cooke, Otis Redding ou Marvin Gaye.




Um ano após a sua morte, em 1980, foi ainda lançado o segundo disco de duetos com Roberta Flack, no qual o último tema a ser incluído por Donny seria "You Are My Heaven". Esperemos que o mesmo tenha finalmente encontrado o seu céu e nele descanse em paz.

Eu, com algum sono, mas com muita satisfação, despeço-me de mais um post, na esperança que o próximo não demore tanto a vir.

A minha inspiração, paz de espírito, alegria, vem daqui... por isso digo-te, thank you master, for my soul.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Groove your Soul #66



Playlist:

01. Jack Garratt – “The Love You're Given”

02. Lion Babe – “Jungle Lady”

03. JMSN – “The One”

04. Janelle Monae Ft. Miguel - “Primetime”

05. Miguel – “nwa”

06. Jessie Ware – “Sweetest Song”

07. Shy Girls – “Under Attack”

08. Isaura – “Useless”

09. Frank Ocean – “Thinking About You”

10. Drake – “Marvin's Room”

11. Musiq Soulchild – “Newness”

12. Fatima Ft. Dam-Funk – “Warm Eyes”

13. Slum Village – “Get Dis Money”

14. Fat Freddy's Drop – “Big BW”


Download em formato mp3 aqui: Rádio Autónoma - Podcasts Groove your Soul