segunda-feira, 23 de julho de 2018

Anderson Paak & The Free Nationals no SBSR - YES Lawd!



YES Lawd! Já há muito que ansiava por um concerto de Anderson Paak e finalmente aconteceu!

Há cerca de um ano fiquei com pena de não poder vê-lo na abertura do concerto de Bruno Mars (a sua estreia em Portugal, também no palco do Altice Arena), mas decidi esperar por um merecido concerto a solo, o qual proporcionou-se este ano com o festival Super Bock Super Rock.

Uma excelente oportunidade de assistirmos a uma amostra daquilo que Paak tem para nos dar, pois o facto de ter sido em formato festival, deixou bem latente o sentimento de ‘soube a pouco’. Pelo menos para quem naquela sala conhecia a sua força e talento, bem como a versatilidade e qualidade da sua música e que, tal como eu, ficaram agarrados à corrente daquela voz única, rouca, vibrante e cheia de alma desde o primeiro instante. Para quem não era o caso, o que me pareceu ser a maioria, acredito que Paak conseguiu conquistá-los ou, pelo menos, despertar-lhes o interesse acerca do seu trabalho. Isto porque, há uma coisa muito importante que, independentemente do quão bom é um artista e a sua música, pode ou não passar para o seu público: a sua energia.

Paak soube contagiar-nos com a sua energia electrizante desde o início, não só pela sua música, mas pela sua simpatia, pela sua humildade em palco, pela sua entrega, pelo seu talento enorme e, mais do que tudo, por transparecer perfeitamente aquilo que mais prazer lhe dá fazer, esteja ele de pé, balançando o seu flow de um lado ao outro do palco, ou sentado à bateria, marcando veementemente o ritmo ao qual se movem os nossos corpos.

Paak não nos contagiou, contudo, sozinho. No cartaz constava Anderson Paak & The Free Nationals e, efectivamente, foi em grupo que este cantor se fez valer, onde todos e cada um dos seus elementos foram os protagonistas da noite, com especial destaque para Ron Tnava Avant, o teclista que tão e também nos animou no vocoder, com algumas referências nossas conhecidas como ‘Niggas in Paris’ (Jay-Z e Kanye West), ‘Pony’ (Ginuwine) ou Cantaloop (US3).

Anderson Paak & The Free Nationals souberam assim conduzir-nos com mestria numa noite que teve início no mais quente hip hop, ao som de temas como ‘Come Down’ (a abrir), ‘Glowed Up’  (de Kaytranada), ‘Bubblin’ (o seu mais recente single)  e ‘The Season, Carry Me’ (o seu primeiro sucesso). O ritmo abrandou, tornando-se mais suave com ‘The Waters’, ‘Put Me Thru’, ‘Room in Here’ e ‘Birds’, todos retirados do seu último álbum ‘Malibu’, de 2016. E aqui aproveito para fazer um aparte, porque Paak, como habitualmente só os grandes o fazem, teve o detalhe de não nos dar apenas aquilo que já conhecíamos dos seus álbuns, brindando-nos com diferentes versões dos seus temas, como foi o caso de ‘Room in Here’ e os seus arranjos reggae.

Pelo meio disto tudo, houve ainda tempo para percorrer o seu projecto NxWorries (em parceria com o produtor Knxwledge) e o tema ‘Suede’, bem como ‘Sweet Gidget', um dos avanços do que se espera ser o seu próximo álbum.

A temperatura começou a subir novamente ao som de ‘Am I Wrong’, o momento que mais se assemelhou a um encore (pois não havia tempo a perder com isso), e prolongou-se com ‘Light Weight’ e ‘Luh You’, onde Paak conseguiu pôr-nos todos a cantar bem alto: ‘I think I love you’! Por esta altura a eletrónica invadira a sala do Altice Arena e era rainha e senhora da noite, deixando uma energia tão boa no ar que ninguém queria que acabasse.

No total foi cerca de 1:10h de concerto que valeu cada minuto mas, como referi no inicio deste texto, soube a pouco, muito pouco, pelo que, da minha parte, ficarei a aguardar novamente por um concerto a solo, desta vez fora do âmbito festival, pois já não me restam dúvidas, ‘I think I love you’!  E se muitos pensaram ouvir ‘Yes Lord!’, como o próprio brincou, fazendo alusão à possível confusão com ‘Yes Lawd!’, nome do álbum que detém enquanto membro de NxWorries e seu grito de guerra, entoado em vários momentos do concerto, é caso para dizer: YES Lawd! God bless you Anderson Paak!

terça-feira, 5 de junho de 2018

Mellow - Mixtape por Groove your Soul

Se não puderam ouvir a última emissão do Mellow, que contou com a colaboração do Groove your Soul, podem fazê-lo aqui através do podcast já disponvível:




terça-feira, 29 de maio de 2018

Mellow

O Mellow é um programa de rádio dedicado à música soul, r&b e hip-hop, que passa na RUC (Rádio Universidade de Coimbra) e que, tal como em tempos o Groove o fez, tem a missão de espalhar músicas com alma semanalmente.

A emissão é online, todas as quartas às 20h, com direito a podcast a seguir.

Para relembrar os bons velhos tempos, o Mellow convidou o Groove a participar numa das suas emissões, ao que este aceitou!

Se quiserem matar saudades do Groove e conhecer também tudo de bom que o Mellow tem para vos dar, não percam a emissão de amanhã ;)

https://mellowruc.tumblr.com/
https://www.facebook.com/MellowRuc


domingo, 10 de dezembro de 2017

Christmas Mixtape



Playlist:

01. Sharon Jones & the Dap Kings – “Ain't No Chimneys”

02. Donny Hathaway – “This Christmas”

03. Stevie Wonder – “What Christmas Means To Me”

04. Stevie Wonder – “Twinkle Twinkle Little Me”

05. Eartha Kitt – “Santa Baby”

06. Louis Armstrong – “Winter Wonderland”

07. Billie Holiday – “I've Got My Love to Keep me Warm”

08. Ray Charles and Betty Carter – “Baby It's Cold Outside”

09. Ella Fitzgerald – “Have Yourself a Merry Little Christmas”

10. Nat King Cole – “The Christmas Song”

11. Nancy Wilson – “What Are You Doing New Year's Eve”

12. Anthony Hamilton Ft. Boney James – “Silent Night”

13. John Legend – “Jesus What a Wonderful Child”

14. José James – “Let It Snow”

15. Sam Smith – “Have Yourself a Merry Little Christmas”

16. Mariah Carey – “All I Want for Christmas is You”

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Top 40 Soul Music Blogs

Soul lovers, o Groove your Soul foi um dos eleitos pela Feedspot, na lista dos 40 melhores blogs de música soul do planeta!

Espreitem no link abaixo e conheçam também os restantes 39! :)




segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Charles Bradley



"If you want to give a show, make it real, and people will listen to you more carefully (...) I'm singing the truth; I put my heart and soul into it. If you're gonna sing, sing from your heart and the world will hear you."
Charles Bradley, Pitchfork, 05.04.2016


Certamente te ouvimos caro Bradley... e como!! Contudo e com muita pena minha, algo tarde.




Foi com esta canção que inicie o meu romance com Charles Bradely, seis anos atrás. Quando a ouvi pela primeira vez ainda não sabia quem era Charles Bradley, de onde vinha, qual tinha sido o seu percurso, a sua vida. Para já, bastava-me a sua voz.

E que voz esta, tão velha e sofrida como a sua alma, que nos faz recordar as raízes boas e profundas de um soul cada vez mais distante e esquecido. Uma voz vivida, ferida, cheia de cicatrizes, mas igualmente e eternamente apaixonada. Foi por isso uma doce surpresa descobrir não só a sua música, como a pessoa que foi Bradley e a sua história. 

É de facto inspiradora a sua história de vida, tanto, que deu origem a um documentário.




“Charles Bradley: Soul of America” (2012), é um relato verídico e cru do que foi o seu caminho até se tornar num cantor de sucesso. Bradley não teve uma infância feliz. Em adolescente viveu durante anos nas ruas de Brooklyn, como um sem-abrigo. Em adulto ganhou a vida como cozinheiro num lar, atravessando, contudo, momentos difíceis - foi preso vítima de racismo, esteve à beira da morte numa cama de hospital e assistiu ao homicídio do seu irmão. Ainda assim, mesmo com um percurso de vida tumultuoso e, por vezes, dramático, existiu sempre algo no qual Charles Bradley nunca deixou de acreditar – o seu amor pela música.

Depois de várias tentativas frustradas para conseguir entrar no meio musical, Bradley dedicou-se a prestar tributos em clubes nocturnos ao seu ídolo, James Brown. Durante quase meio século, interpretou as suas canções sob o nome de “Black Velvet”, até que, numa dessas noites foi descoberto por Gabriel Roth – co-produtor da editora Daptone Records, que também nos deu a conhecer a querida e brilhante Sharon Jones, sua amiga, também ela chegaria até nós tarde e partiria cedo demais. Desta feita, e pela alçada da Daptone, gravou o seu primeiro disco em 2011 – “No Time For Dreaming” – um retrato fiel da sua história, em consonância também com a situação de crise que a América estava (e está) a atravessar, confrontando a tragédia e a dor com o sonho e o amor, e a esperança de um amanhã melhor. Aos 62 anos, Charles Bradley tornava-se, assim, um cantor de soul reconhecido, querido e aclamado pela crítica e pelo público.



“Victim of Love”, o seu segundo álbum editado em 2013, é um trabalho mais calmo e optimista que o seu antecessor. Enquanto “No Time For Dreaming” aborda todo o sofrimento e angústia vividos por Bradley ao longo da sua vida, bem como uma revolta latente face a uma sociedade americana injusta, o seu segundo disco segue uma linha mais suave e romântica, evidenciando o seu amadurecimento enquanto cantor. O tema-base das suas músicas, como o próprio nome do álbum indica, é o amor e se há coisa que Bradley sabe pôr nas suas canções, é amor. Face a tudo e face a todos, por muito que a vida o contrariasse, a verdade é que ele sempre foi uma vítima do amor...




Em 2016 chegaria até nós o seu terceiro e último disco, "Changes", provavelmente o seu trabalho mais poderoso e confiante. Apesar de todas as parecenças e forte influência do godfather James Brown na sua música, Bradley conseguiu traçar um caminho muito próprio, muito seu, conciliando o que de melhor cada década trouxera ao soul, tornando-o aos 68 anos não apenas mais um cantor de soul dos anos 60, mas sim num grande cantor de soul, independentemente da sua era.




Aos 68 anos foi também a idade com que nos deixou Charles Bradley, vítima de cancro. A doença já o perseguia há algum tempo, levando-o a cancelar por 2 anos consecutivos os concertos que tinha agendados no nosso país. Antes disso, passara em 2013 no EDP Cool Jazz, em 2014 no NOS Primavera Sound (ao qual tive a sorte de poder assistir) e, em 2015, no Vodafone Paredes de Coura.

Charles Bradley era intenso, imenso, tenho a certeza que como ele existem poucos. Não há melhor forma de recordar e homenagear um artista do que ouvindo a sua música com atenção. A minha homenagem faço-a aqui e em casa, quando ponho um dos seus discos a tocar. Contudo e para além da sua música, a melhor coisa que Bradley nos deixou foi um motivo. Um motivo para, ainda que pareça clichê, nunca deixarmos de acreditar nos nossos sonhos, nem desistir deles. Perante todas as adversidades, devemos continuar a lutar por fazer aquilo que amamos, independentemente de como, quando e porquê. Charles Bradley assim o fez e a sua música hoje é a prova disso.




domingo, 30 de julho de 2017

Groove your Soul #181




Playlist:

01. Letta Mbulu – “What's Wrong with Groovin'”

02. James Brown – “People Get Up and Drive Your Funky Soul”

03. Marvin Gaye – “I Heard It Through the Grapevine”

04. Barry White – “Can’t Get Enough of Your Love Babe”

05. Earth, Wind and Fire – “Let’s Groove”

06. Prince – “I Feel for You”

09. Michael Jackson – “I Can't Help It”

08. D'Angelo – “Feel Like Makin' Love”

09. Erikah Badu – “Bag Lady”

10. Jill Scott – “Gettin' In the Way”

11. Lauryn Hill – “Doo Wop (That Thing)”

12. Tupac – “Do for love”

13. Curtis Mayfield – “Move on Up”


Download em formato mp3 aqui: Rádio Autónoma - Podcasts Groove your Soul

domingo, 23 de julho de 2017

O último Groove



Algumas decisões nem sempre são fáceis, nem difíceis, são naturais. É por isso que, não com pena, nem tristeza, mas sim já com alguma nostalgia boa, profunda, vos anuncio que esta semana será gravada a última edição do Groove your Soul na Rádio Autónoma.

Não foi um decisão precipitada, nem forçada, mas necessária e, como tudo o que me liga a este Groove, foi sentida de forma muito gradual. Por vezes, para darmos início e espaço a novos ciclos, temos de fechar outros. E a verdade é que esta relação que mantive semanalmente convosco e com a Rádio Autónoma, por muito enriquecedora que tenha sido (e acreditem quem foi) exigiu-me muito tempo e dedicação, ambos dados sem reservas e ressentimentos, pois é o que acontece quando se faz algo por gosto, por paixão. Acontece que, simplesmente, a vida muda, eu mudo, o meu redor muda, e temos de saber ajustar-nos a essas mudanças. 

Desde que eu criei este blog, faz no próximo dia 28 cinco anos, também ele passou por várias fases, momentos e mudanças. Tudo começou pela escrita, e com alguns eventos e acontecimentos pelo meio, chegou a um podcast semanal que mantenho há quase 4 anos... é engraçado que, ao escrever isto tive de procurar esta informação, pois já não me lembrava, e acreditem que não pensava que fosse há tanto tempo... é bom sinal, não é? Normalmente é o que dizem quando não damos pelo tempo passar.

Mas bem, isto para vos dizer que, com ou sem mudanças (ou sem podcast), o objectivo primordial deste blog mantém-se: partilhar a minha paixão pela música. Assim sendo, talvez não semanalmente mas sempre que surgir a oportunidade e a vontade, continuarei a visitar este blog e a partilhar convosco novidades, críticas a álbuns/concertos, artigos ou até mesmo novos podcasts, noutro formato, quem sabe... uma vez que, haja o que houver, este será sempre o meu cantinho especial. Da mesma forma que o meu sentimento e interesse pela música não irá esmorecer, também o Groove não irá morrer, mas sim continuar a acompanhar todas as minhas fases e mudanças. 

Confesso-vos que até tenho sentido alguma falta do que estou a fazer neste momento: escrever. Coisa que não tem acontecido neste blog nos últimos tempos, pois o mesmo tem sido alimentado basicamente pelos podcasts semanais da Rádio Autónoma que, infelizmente, não me deixam mais tempo para me poder dedicar a outros temas/ideias.

Como tal e não me alargando mais, serve este post para agradecer a Rádio Autónoma, em especial o Miguel van der Kellen, o João Santareno de Sousa e o Tiago Crispim, a oportunidade que me deram e o carinho com que acolheram o meu Groove, e a todos os soul lovers que me seguem e apoiam, o simples facto de estarem desse lado. 

Convido-vos agora a acompanherem-me a mim e ao Groove your Soul numa nova jornada. Tal como sempre digo desde o início deste blog, a música é para ser partilhada e assim o continuará a ser, seja de que forma for.